Na caatinga, um cangaceiro. Na floresta de bambu, um samurai. À espera, à espreita, entocados.
Perguntas frequentes sobre este livro
- Quem escreveu "O cangaceiro e o samurai"?
- "O cangaceiro e o samurai" foi escrito por Severino Rodrigues.
- Para qual faixa etária é indicado "O cangaceiro e o samurai"?
- Este livro é indicado para a faixa etária: 11-13 anos.
- Quantas páginas tem "O cangaceiro e o samurai"?
- "O cangaceiro e o samurai" tem 52 páginas.
- Qual o ISBN de "O cangaceiro e o samurai"?
- O ISBN de "O cangaceiro e o samurai" é 9786561421201.
- Qual editora publicou "O cangaceiro e o samurai"?
- "O cangaceiro e o samurai" foi publicado pela Elo Editora.
- Quais temas "O cangaceiro e o samurai" aborda?
- "O cangaceiro e o samurai" aborda os temas: amizade, identidade, alteridade.
- Que competências "O cangaceiro e o samurai" trabalha?
- "O cangaceiro e o samurai" trabalha as seguintes competências: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas.
- Como "O cangaceiro e o samurai" pode ser usado em sala de aula?
- Sem vento e com o sol a pino, a vegetação permanecia quieta e silenciosa, assim como o cangaceiro ali escondido. A armadura de couro o protegia dos espinhos, enquanto um misto de cheiros e vontades tomava conta do ambiente. Na caatinga, os músculos reclamavam da posição incômoda, da fome, da sede, do sono. De repente, ele avistou algo que não reconhecia como peixeira nem como rifle. O homem que empunhava tal objeto vestia roupas estranhas e ordenou: "Sai daí!" Contudo, a voz revelava cumplicidade, não autoridade. O samurai também estava à espreita, entocado como o cangaceiro. Vestia um quimono com estampas de flores de cerejeira e enfrentava a mesma exaustão. Ambos se observavam com cautela. Um se levantou, fitou o outro, e trocaram palavras: — Quem é você? — perguntaram ao mesmo tempo. O cangaceiro permitiu que o estrangeiro falasse primeiro. — Sou um samurai. Venho de muito longe, de terras que não são daqui. O cangaceiro respondeu: — Já que não me disseste teu nome, mas sim teu ofício, apresento-me da mesma forma: sou cangaceiro, homem fruto desse sertão. Não posso dizer que venho de outras terras, pois a secura de onde vim é tão grande quanto a que vejo aqui. Decidiram, então, ouvir as histórias um do outro. O cangaceiro narrou sua trajetória: uma infância feliz no sertão com os pais e irmãos, brincadeiras sob uma árvore até o dia em que um homem declarou que o terreno não lhes pertencia. O pai reagiu com fúria, e desde então o menino passou a brincar de ser cangaceiro, defendendo seu lar. Certo dia, um ataque com tiros de espingarda os forçou a fugir. O pai resistiu, permaneceu na terra. A mãe, grávida, não suportou a tensão. Perderam a irmã antes mesmo de nascer e, pouco depois, o pai. Ficaram apenas os irmãos. O samurai escutou sem demonstrar emoção e, em seguida, compartilhou sua história. Era filho rejeitado do imperador, fruto de uma relação com uma gueixa. Cresceu entre mulheres e um dia, diante da violência sofrida por elas, decidiu vingar-se, assumindo a missão de proteger sua honra. Desde então, seguia de missão em missão. Ambos revelaram que estavam em busca de alguém, sem revelar quem. Aguardaram a chegada da lua, mas ela se atrasou. O frio aumentou. Bambus e flores de cerejeira começaram a surgir. O cangaceiro estranhou o ambiente. O samurai, então, disse: — Bem-vindo ao Japão, amigo. Acenderam uma fogueira, tentando compreender a situação. O cangaceiro comentou que tinha alguém para quem voltar. O samurai revelou ter amado alguém, mas se dedicara apenas ao trabalho, pois havia outro homem entre eles. Silenciaram-se, acostumados com batalhas, não com confissões. Mais tarde, o samurai quebrou o silêncio: — Acho que eu seria bom em cantar e declamar poesias. O cangaceiro, surpreso, indagou se o antigo mestre dele o havia ensinado. O samurai contou que escrevia haicais. O cangaceiro, quase analfabeto, admirou-se. O samurai leu alguns haicais, que agradaram ao cangaceiro. Subitamente, levantaram-se em posição de combate. Um cavalo aproximava-se. Ambos disseram: — É ele que vim pegar. Descobriram que haviam sido contratados para a mesma missão. O samurai percebeu que estavam numa emboscada. Lutaram juntos, protegendo-se mutuamente — da vida e de si mesmos. Combateram até o amanhecer. Ao acordarem, o cavalo permanecia tranquilo, a fogueira apagada, os inimigos vencidos. Estariam sonhando? Ou seria um pesadelo? Talvez. Mas agora, o cangaceiro segurava uma katana. O samurai, um rifle. Estavam tão distantes quanto suas terras natais. E, no entanto, cada um reconheceu no outro algo comum: um coração.

